"love
is being stupid together"

sexta-feira, 5 de junho de 2015

# 117


   Quando por mais que saibas que és superior a isso, te deixas afetar, contra todas as fibras do teu corpo que te puxam em sentido oposto.
Provavelmente sou eu, é paranóia minha, mas quando a rotina começa a desaparecer, alguma razão deve existir. A ocupação não justifica todo o esquecimento e todo o desprezo que eu sinto que me é direcionado, a constante repetição da palavra carinhosa do costume não faz tudo ficar bem, a desculpa atirada como que por obrigação e sem qualquer remorso não me causa qualquer impacto, e aos poucos e poucos a ausência vai acabar por me afastar.
   Prefiro mil vezes que sejam diretos e que matem de uma vez, do que deixem ir morrendo aos poucos a ligação que se está a formar, porque todo o carinho vai virar mágoa e eu não sou cínica a ponto de fingir que não me incomoda, nunca fui, a minha expressão cabisbaixa e os monossílabos denunciam-me, quando eu não tenho qualquer interesse em esconder.
   Nada me dá mais pena que as ruturas causadas pela erosão do tempo perdido, erosão essa que mais se faz sentir internamente, mas a minha promessa feita em tempos é mais forte que qualquer outra razão e eu vou deixando tudo ser arrastado até que amenize. Jamais me voltarei a permitir expor sentimentos não correspondidos,  isso levou-.me à frieza que trago no peito e à solidão que trago na alma, ninguém merece ser "pisado" de tal forma, mas agradeço por toda a resistência e controlo que aprendi a gerir e pelo desprezo que agora consigo transmitir de volta, porque eu dou uso ao lema ''amor com amor se paga'' da melhor maneira que eu consigo.
   Talvez seja pelo melhor, as minhas dúvidas e inseguranças têm de ter um fundamento. É habituação, não é sentimento, e eu quero uma paixão que me consuma, uma paixão como já sentira outrora.
   Desculpa, mas agora vais ter de provar do teu próprio veneno.

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